Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Regressei às aulas.

Regressei às aulas, regressei ao trabalho, à minha actividade principal. Com algumas novidades desagradáveis, como mais uma baixa de salários e uma redução de 10 minutos no recreio, entre outras pequenas coisas.

 

Continuo com as mesmas turmas do ano passadoe mais duas novas. Veremos como as novas se vão comportar!

 

Foi muito bom ter ficado na mesma escola e rever os meus alunos. Sabem o que é incrível, é o facto de os miúdos mais mal comportados e das turmas mais rebeldes virem ter comigo e mostrarem o seu contentamento por continuarem comigo. Acredito que isto significa que os miúdos gostam efectivamente de mim - e eu deles -, apesar de ter de fazer o papel de má e mandona muitas vezes e que eu odeio!

 

É bom retornar aos sítios onde somos e nos fazem felizes. é bom retornar às rotinas na companhia de quem nos faz feliz.

A professora que é uma sexy girl.

Ontem comecei a dar explicações a uma menina a precisar de socorro urgente. Conversámos para ver quais as dificuldades que mais sentia, que matéria estava a dar e o que iria sair para o próximo teste. Enquanto ia fazendouma das fichas de trabalho que lhe dei, a miúda ia falando comigo, tirando pequenas dúvidas e contando pequenas coisas acerca da professora da disciplina.

 

Parece que a referida professora chega à aula e começa a desbobinar matéria automaticamente, a turma entra em alegre conversa e barulheira e ela nem os manda calar. Exercícios para consolidar a matéria e tirar as possíveis dúvidas aos alunos, népias! Já os testes, esses, são retirados da net, de um qualquer site acessível a todos, nem são feitos por ela. E o mais engraçado é que ela ainda diz orgulhosamente aos alunos que os tira da net! Em suma, ela vai dar aulas sem a mínima preparação, com as coisas feita em cima do joelho, e os encarregados de educação e os alunos (que são daqueles de boas notas) não estão nada satisfeitos. Inclusivamente já tentaram pô-la a mezer e a senhora professoar, depois, foi fazer beicinho para os alunos.

 

Ao que parece a tal senhora tem uma carreira paralela à carreira docente: é modelo fotográfico, daquelas fotos sensuais. Como todos sabemos, os nossos jovens de hoje em dia, são peritos em questões de net e descobriram as fotos da tal senhora, que ela também não escondeu, expondo-as numa rede social.

 

Ninguém tem nada a ver com o que a senhora faz com a sua vida, é certo, e nem ninguém tem que a criticar. A vida é dela. o corpo é dela e ela fará o que entender sem ter que dar justificações a ninguém. Mas ao expor-se desta maneira, há consequências implícitas perante os olhos da nossa sociedade, e principalmente sendo professora.

 

O que acontece é que os alunos perderam-lhe o respeito, e como perceberam que ela nem sequer prepara as aulas, os alunos começaram a borrifar-se. Se a professora não dá importância áquilo que lhes está a ensinar porque é que eles têm de dar? Afinal ela tem uma vida muito ocupada e não tem tempo para preparar as coisas, diz-lhes ela.

 

Miminho de Aluno (Take 1)

 

Vou carregada com os meus livros e tralha acessória a subir as escadas em direcção à sala de professores, quando oiço uma vozinha:

 

- Teacher, ó teacher...!

 

Olho para trás, conforme giro a chave na fechadura, e vejo o L.

 

- Ó L.zinho, o que queres à teacher?

 

O menino pára, faz uma cara meio séria e diz:

 

- Posso fazer-te uma pergunta?

 

Com um sorriso eu respondo:

 

- Claro que podes!

 

Com o seu arzinho de 5 aninhos mas ainda nos 4, o L. pergunta-me:

 

- Posso dar-te um beijinho?

 

Agarrei-me a ele e disse-lhe:

 

- Podes dar os que quiseres porque eu também te vou dar muitos...

 

E dei!

 

E são estes miminhos tão doces e preciosos que nos abrilhantam e dão alegria à vida. Os pequenotes às vezes nem sonham o quanto estes miminhos são importantes para nós e que nos sabem melhor do que toda a fortuna do mundo!

 

 

Insulto Via Mail

                                                           

No colégio, uma colega chama-me para dentro da sala, fecha a porta e manda-me sentar. Vira o portátil para mim e diz-me para eu ler. E eu li.

 

FULANA-DE-TAL,

ODEIO-TE! ÉS UMA P*TA!

ÉS ESTERCO DE VACA.

 

Engoli em seco quando vi o remetente do mail, que era o de uma aluno, pois jamais imaginei que uma menina tão angelical se saisse com uma alarvidade destas. Assim que cheguei a casa fui ver se também tinha sido presenteada por uma mail desta natureza. Não tinha sido.

 

Medidas a tomar? Remeter o mail para os pais e direcção da escola. Falar com estes em presença da aluna, que, neste momento diz não ter sido ela. Trama-a a hora do envio, o remetente, e o facto de já não ser a primeira vez que acontece...

 

Acerca Da Professora Na Playboy

 

É o assunto da berra aqui no nosso cantinho Tuga, com direito a notícia nos telejornais de todas as estações de TV.

 

Parece que um professora de AECs, e agora é preciso esclarecer uma coisa, uma mera questão técnica, foi paga para posar para a Playboy.

Ora vamos lá ao esclarecimento: Uma professora de AECs não é uma “professora primária”, como tem surgido por aí. Designa-se professora primária ou do 1º ciclo aquela que é a titular da turma, portanto, a professora Bruna é uma professora de Expressão Musical, é uma AEC (Actividades Extra Curriculares).

 

E porque é que faço este esclarecimento? Pois é, agora é que a porca torce o rabo. Embora sejam ambas professoras, a diferença está no estatuto, nas remunerações e por aí afora. E muitas vezes as AECs têm mais habilitações do que quem está à frente (que é titular) de uma turma do 1º ciclo.

 

Os AECs para poderem dar aulas, não concorrem ao concurso de docentes. Não. São contratados pelos organismos que ganharam o concurso das Câmaras Municipais. Embora para as AECs a comparticipação do estado por cada aluno até não seja má, todos têm que encher os bolsos, menos os professores. Assim, os professores de AECs são pagos desde 7.5€/horas até 13.0€ e, muitas vezes, os horários são minúsculos. Ah, e o melhor… são pagos a recibo verde! Isto implica fazer descontos brutais para a Segurança Social, não ter direito a subsídios de Férias ou Natal, se faltarem justificadamente não recebem, entre muitas outras coisas.

 

Agora digam-me lá se a professora não fez bem? Uma pessoa farta-se de trabalhar para ganhar uns míseros tustos e se alguém fizer uma proposta irrecusável para aparecer descascada numa revista, dizemos não? E se até somos, bonitas, jeitosas e jovens, dizemos não? É claro que dizemos sim, principalmente se formos professoras de AECs.

 

Não me venham com falsos puritanismos e hipocrisias, nem com a treta do exemplo a seguir. Vivemos numa sociedade em mudança, desestruturada, em que os alunos são piores que os professores.

Então os pais não devem ser exemplos para os filhos? E os políticos, não devem ser exemplo para os cidadãos? E porque é que a os professores têm de levar sempre pela medida grande?

A hipocrisia é de tal tamanho que a revista esgotou na zona, e de certeza que não foi comprada por mulheres, tal foi a apreciação positiva da presença da professora estampada naquelas páginas!

 

Na minha opinião, a professora fez muito bem em posar para a Playboy. Ganhou uns trocos valentes e daqui a uns tempos já a poeira acalmou e ela volta a dar aulas que, provavelmente, é o que ela gosta de fazer.

 

No entanto, deixo aqui um alerta, se precisarem de outra professora para posar para a Playboy podem entrar em contacto comigo. Mas com antecedência, por favor, que é para eu pintar o cabelo de loiro, pôr lentes de contacto castanhas e last but not least fazer o bypass gástrico!

É que aquele dinheirinho dava cá um jeitaço com esta crise…

 

 

P.S. se calhar até fui eu que posei para a Playboy... é que o cão é igual ao meu Pimentinha!

 

 

Duas em Uma

 

             

 

Chamem-me multifacetada, polivalente, multifunções, pau para toda a obra... Whatever! Mas a verdade é que fui requisitada, recrutada para entrar no  jogo em jeito de substituição de jogador lesionado. Assim... à última da hora!

 

Às vezes o azar de uns é a "sorte" de outros.

Ontem cheguei ao colégio à minha hora normal de iniciar as aulas e o director interpela-me com a pergunta "o que faz durante as manhãs?"

Ocorreu-me tudo menos o motivo real. Pensei que finalmente tivesse mexido nos cordelinhos, pauzinhos e neurónios para erguer as sugestões que eu lhe fiz - e ele aceitou entusiasticamente - para dinamizar o colégio e ganhar uns cobres extra. Mas parece-me que vozes de burros não chegam aos céus...

 

Revelou-me, então, que uma colega minha tinha dado uma queda no WC e que tinha partido três costelas, estando, por isso, incapacitada para dar aulas durante uns tempos.

 

Perguntou se eu "estava habituada a trabalhar com crianças daquela idade". Às vezes o director sai-se com cada uma que até parecem duas! Então esta turma não é minha?!? E já desde o ano passado?!? Ai, ai, ai!!!

 

Ontem foi a "genra" (como carinhosamente chamam à nora do director que anda pra lá a encher chouriços para justificar o ordenado) que substituiu a minha colega, o que não agradou nada à classe dos profes. Receia-se que ela seja uma espécie de espiã ao dispôr de sua majestade, o director. A ela falta-lhe um pouco de simpatia para que conquiste os outros e mesmo que não seja persona non grata, passou a sê-lo!

O consenso geral é que a "genra" não deve fazer estas substituições porque nem se quer é professora.

 

Voltei a levantar-me cedo para poder estar no colégio a horas e começar a aula. Devo dizer-vos que, apesar dos miúdos terem ficado decepcionados porque pensaram que iam ter inglês, as coisas correram muitíssimo bem!

Trabalharam imenso e ainda trabalharam um conto extra, que eles adoraram.

 

A parte hilariante do dia foi a hora do almoço. Já aqui vos disse que a cozinheira é super desagradável e antipática, com aquele ar de quem todos lhe devem e ninguém lhe paga.

Desci com as crianças para o refeitório que aguardaram a sua vez fazendo fila. Após terem entrado todos, eu dirigi-me para a zona da comida e a C. diz-me que tenho de avisar a cozinheira que também ia comer. Perguntei se havia um pratinho de comida, ao que ela coloca comida no prato, estende-me a mão à bruta, como se estivesse a mandar comida a animais com desdém e pergunta-me "isto chega?". É claro que chegava! Mas nem tive coragem de ir buscar sopa ou fruta. Acho que ela ainda me agarrava a mão e me mandava largar o que estava a segurar.

É claro que eu contei o episódio a toda a gente e mais alguém, inclusivamente ao director.

Todos sabem que a cozinheira é assim, mas de vez em quando uns laivos de simpatia não fariam mal a ninguém... digo eu...

Crime and Punishment

             

Estava a ser um dia tão bonitinho – exceptuando a parte dos espirros matinais – até chegar ao meu último tempo lectivo. Hoje foi dia de festa…

 

Comecei o dia tão bem, tranquilamente, e até apanhei uns chuviscos na cabeça para afastar as ideias negativas.

Arranjei-me toda – material e indumentária a vestir – e arranquei para a escola depois de almoço.

 

Dois dedos de conversa com as minhas colegas e distribuição de beijos pelos miúdos até chegar a minha hora de começar. Correu tudo bem até chegar ao último tempo.

Cheguei à sala, depositei as coisas, a minha colega abandonou a sala e a minha rotina começa. Quer-se dizer, a muito custo pois os miúdos estavam horríveis, mas lá começou. Abertura de lição, lista de chamada, verificação do homework, rever a matéria dada para confirmar se ficou alguma coisa naquelas moléculas e eis que acontece mais uma situação espectacular.

 

Mandei o A. tirar as coisas da mochila - como se não fosse autónomo – para começar a trabalhar, 15 minutos passados do início da aula. Este só funciona assim. Só falta eu ir lá escrever por ele, mudar as folhas, etc.

Assim que tirou o caderno da mochila, chamou-me com uns péssimos modos, como se estivesse a chamar um cão… só faltou assobiar!

Chamei-lhe a atenção e disse-lhe que não era nenhuma animal para me chamar assim. É então que se dá a catástrofe…! Ouve-se na sala alguém dizer “é quase…”

 

- Ok! Pára tudo, ninguém se mexe! Quem foi que disse isto?! - Silêncio de cortar à faca… Os cobardes serão sempre cobardes!

- Ai ninguém se acusa? C. vai chamar o director!

- Ó teacher não…!

 

Obviamente fiz ouvidos de mercador. O director chegou já informado da situação. Entrou com um ar raivoso e exigiu que o cobarde se acusasse ou então iriam ficar sem intervalo até ao fim do ano. Mas a palavra cobarde diz tudo, certo? É preferível os colegas pagarem as favas por aquilo que não fizeram do que o cobardolas assumir aquilo que fez.

 

O director ficou especado a observá-los – não deve ter gostado nada de ver que passado 1 minuto eles se estavam a c*g*r para ele –à espera de ouvir uma resposta. Chamou à atenção de alguns deles e depois informou-os que só sairiam dali quando os pais os viessem buscar. Caras de pânico, em geral.

A mim, mandou-me sair pois estava na minha hora.

 

Então, o que acharam disto? Serão estes meninos um espectáculo como diz a professora titular, ou são todas as professoras (AECs, sala de estudo, intervalo, etc.) que estão erradas? Se as rédeas tivessem sido puxadas desde o 1º ano as coisas seriam assim? O que irá acontecer à turma do 1º ano em que ela vai pegar? Transformar-se-ão em mini-delinquentes? A ver vamos de quem é o mal…

A Realidade Começa a Revelar-se…

 

Ainda a propósito daquele acontecimento que tem vindo a abrir os nossos telejornais nos últimos dias - a agressão da aluna à professora - , e uma vez que ainda não tive oportunidade de “pôr o meu dedo na ferida” devido às festividades pascais, vou fazê-lo agora.

 

Espantem-se ao mais incrédulos, mas este acontecimento não é assim tão invulgar. Os meus colegas que me lerem sabem do que falo. Infelizmente, o que vai acontecendo nas nossas escolas, reflecte o pouco valor que é dado aos professores, é o espelho do que se passa nos lares de Portugal em que muitos pais não conhecem os filhos fora do ambiente familiar e nem sequer lhes fazem um acompanhamento devido, à legislação que vem saindo onde o estatuto do professor vai sendo espezinhado e o estatuto do aluno vai sendo exaltado. Qualquer dia nem é preciso ir à escola, basta os alunos irem fazer uma ”provazinha” (que por acaso até já tinha sido feita por um colega e que lhe deu o enunciado para “estudar”) para passar de ano.

 

Os professores são palhaços e sacos de pancada. Aos olhos de muita gente é para isso que devem servir, já que nem o mínimo de respeito merecem.

Agora coloquem-se lá na pele da minha colega do tão famoso vídeo. Imaginem que na escola onde leccionam – tal como em todas as escolas que eu conheço – no regulamento interno da escola, existe uma alínea que proíbe a utilização do telemóvel na sala de aula. E num determinado dia, uma aluna está a usá-lo, abusivamente no envio de SMS, à frente do vosso nariz estando literalmente a borrifar-se para o facto de vocês até estarem a ver. A professora até é uma “velha estúpida” (na opinião dela).

 

A professora tenta dar a sua aula, fingindo nem perceber o que se está a passar, simplesmente para não acirrar os ânimos. Mas vendo a perturbação geral da turma, adverte a aluna. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. À quarta decide tirar-lhe o telemóvel para entregar no conselho executivo e, assim, cumprir o regulamento interno. E é aqui que a coisa se dá. O resto já vocês sabem.

 

Situações destas não são assim tão invulgares. E por variados motivos. As coisas é que não “saem cá para fora”. Porque os C.E. abafam as coisas para não dar má fama à escola ou sabe-se lá porquê! Porque os professores sentem-se humilhados, desmotivados, desacreditados, com medo de represálias ou que estes episódios sejam encarados como falta de autoridade. As motivações podem ser várias.

 

Nunca mais me esqueço que, numa escola onde leccionei na zona de Sintra, um grupo de alunos tramou um professor de uma forma tão simples como tirar uma foto na hora H. Tramaram uma situação de agressão ao professor e quando o professor se tentou defender…Olha o passarinho! Click! Ficou para a posteridade.

 

E o mesmo se passa com a situação de agressão da aluna à professora. Há um palhaço de um colega (que até devia estar a ter um orgasmo com a situação, desculpem a grosseria) que resolveu gravar a cena com o telemóvel para depois colocar no youtube, para que a professora ainda fosse mais gozada. Não bastava o escárnio e a humilhação que a professora passou na sala de aula. Só tenho pena que isto não se tenha passado com a senhora Ministra…

 

E agora? O que é que vocês fariam? Agradecemos sugestões para os professores aprenderem a lidar com “animais selvagens” dentro da sala de aula. Sim, porque não vejo outra forma de ver estes alunos…